A Crioterapia.

A crioterapia atua na analgesia pelos mecanismos: Adaptação do receptor; efeito contra-irritante e efeito neurogênico. Quando se limita o grau de inflamação, inibem-se os efeitos dos componentes remanescentes. Quando se limitam os mediadores inflamatórios, reduz o grau de hemorragia e de edema, quando se diminui a pressão mecânica sobre os nervos, reduz a dor. À medida que o espasmo muscular e o edema são reduzidos existe menos congestão na área e a quantidade de morte celular por hipóxia é limitada.

As modalidades frias terapêuticas produzem seus efeitos conduzindo moléculas mais quentes e de energia mais alta dos tecidos corpóreos para as moléculas mais frias e de energia mais baixa da modalidade, para a qual transferem sua energia. Isso remove energia térmica dos tecidos corporais, esfriando dessa forma os tecidos. Para que esta troca de energia ocorra, deverão estar relacionada com os diferentes métodos de aplicação, tempo de aplicação do resfriamento, temperatura inicial da técnica utilizada, diferença de temperatura entre o agente de resfriamento e os tecidos, localização do tecido e a profundidade do músculo com relação à superfície.

Segundo Sandoval et al apud Gould III (2005), o esfriamento prolongado diminui a sensibilidade nas fibras nervosas rápidas e lentas. A sensação da temperatura é transmitida pelas terminações nervosas encapsuladas da pele para a medula espinhal principalmente pelas fibras nervosas não mielinizadas para os receptores do frio. A sensação da temperatura é a seguir transmitida pelo trato espinotalâmico lateral até os centros superiores. Existem duas partes do hipotálamo que estão envolvidos com a termorregulação. O hipotálamo anterior inicia a sudorese e a vasodilatação cutânea quando a temperatura está elevada. A diminuição da temperatura corporal leva a um estímulo no hipotálamo, que inicia a vasoconstrição periférica, produzindo calafrios e o aumento das atividades viscerais.

A crioterapia quando aplicada no corpo humano desencadeia inúmeras respostas fisiológicas. Essas respostas variam bastante de acordo com a situação na qual está sendo usadas, podendo apresentar aumento da rigidez tecidual, melhora da propriocepção, vasoconstrição, diminuição da taxa de metabolismo celular, diminuição da produção dos resíduos celulares, diminuição da inflamação, diminuição da dor, diminuição do espasmo muscular, diminuição no sangramento e/ou edema no local do trauma, diminuição da espasticidade, alterações na fibra muscular, estimulação da rigidez articular, diminuição da temperatura intra-articular, redução do metabolismo articular e da atividade das enzimas degradantes da cartilagem, diminuição na velocidade de condução nervosa, liberação de endorfinas, diminuição na atividade do fuso muscular, diminuição na habilidade para realizar movimentos rápidos, o tecido conjuntivo torna-se mais firme, a força tênsil diminui, relaxamento, permite a mobilização precoce, redução da inflamação, redução da circulação e quebra do ciclo dor-espasmo-dor.

A crioterapia tem seus benefícios alcançados quando utilizada logo após a lesão sendo mantida durante a fase aguda, entre 24 a 72 horas. Após este período outros recursos são mais indicados e mais eficazes. O tempo de aplicação deverá variar de 15 a 30 minutos dependendo da situação e da técnica utilizada, oferecendo um intervalo de 2 horas entre cada aplicação (SANDOVAL, 2005).

Diversos estudos utilizaram a crioterapia com o objetivo de recuperação pós-exercício. Desse modo, aparecem protocolos dos mais variados. Tais fatos estão intimamente relacionados com os efeitos fisiológicos da crioterapia, e além desses efeitos, é importante notar que a crioterapia reduz a permeabilidade celular de vasos sanguíneos, linfáticos e capilares devido à vasoconstrição, fazendo com que ocorra diminuição da difusão dos fluidos nos espaços intersticiais. Essa cascata de respostas é favorável à diminuição da inflamação provocada por danos teciduais, além de reduzir a dor, o edema e o espasmo muscular (PASTRE, 2009).

Ainda no âmbito fisiológico, nota-se que componentes neurais também são afetados com baixas temperaturas. O resfriamento dos tecidos diminui a transmissão nervosa, reduzindo a liberação de acetilcolina e, possivelmente, estimulando células superficiais inibitórias a aumentar o limiar de dor.

De acordo com Sandoval et al apud Knight (2005), as bases fisiológicas da crioterapia não são bem compreendidas como suas respostas clínicas. As tentativas de explicar os sucessos clínicos da aplicação de frio levaram a explicações simplistas demais que, às vezes, não se mantém sob exame mais minucioso.

Em resumo verifica-se que muitos dados são conflitantes em relação ao tempo de aplicação, freqüência e efeitos, tendo também escassez de dados histológicos frente à aplicação do frio.

GOUD III, J. A. Fisioterapia na Ortopedia e na Medicina do Esporte. São Paulo: Manole, 2003.

KNIGHT, K. L. Crioterapia no Tratamento de Lesões Esportivas. São Paulo: Manole, 2000.

PASTRE, Carlos M. et al. Métodos de Recuperação Pós-exercício: Uma Revisão Sistemática. Revista Brasileira de Medicina do Esporte. Vol. 15. No. 2. Niterói, Mar./Apr. 2009.

SANDOVAL, Renato A. et al. Crioterapia nas Lesões Ortopédicas: Revisão. http://www.efdeportes.com. Revista Digital. No. 81. Ano 10. Buenos Aires, 2005.

N-Magalhães.

nivaldomagalhaes50@hotmail.com

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