O Comportamento do Cortisol e da Testosterona no Treinamento de Força.

O treinamento de força sempre foi associado ao aumento de massa muscular, sendo um meio para atingir uma hipertrofia muscular com objetivos distintos, e para aumento da força máxima para a maioria dos esportes.

Essas diferenças são melhor entendidas pela análise das variáveis – características dos exercícios, tais como o tipo, a ordem, o volume, a intensidade, a freqüência dos treinos, o intervalo, as formas de controle de carga, as alterações orgânicas agudas promovidas pelas sessões de treinamento, que, ao serem combinadas irão variar o resultado.

Uchida et. al. (2006:19) relata que o músculo esquelético é um tecido com surpreendente capacidade de adaptar-se às cargas ou estresses que lhe são impostas. Considerando que todo movimento envolve contrações musculares, diferentes tipos de exercícios resultam em adaptações específicas, esse comportamento constitui a base do princípio biológico da especificidade. Assim, a realização de esforços que atinjam certo grau de intensidade e/ou duração promove a liberação de hormônios que desempenham papéis fundamentais na adaptação ao treinamento de força.

O cortisol, principal glicocorticóide do córtex supra-renal, afeta o metabolismo da glicose, das proteínas e dos ácidos graxos livres de várias maneiras e todas envolvidas no processo de adaptação supracitado. Dentre essas maneiras está a facilitação de outros hormônios, principalmente o glucagon e GH, no processo de gliconeogênese.

A secreção de cortisol aumenta com o estresse. Apesar de ser considerado um hormônio catabólico, é essencial para a vida, pois seu efeito mais importante se opõe à hipoglicemia e níveis cronicamente altos iniciam fracionamento das proteínas e o desgaste tecidual.

Dentre as manifestações do cortisol sobre o treinamento, Mc Ardle[1] relata em suas pesquisas que:

“Existe considerável variabilidade na renovação do cortisol com o exercício, dependendo da intensidade e duração, nível de aptidão, estado nutricional e até mesmo o ritmo circadiano. A maior parte de pesquisa indica que a produção de cortisol aumenta com a intensidade do exercício, isso acelera a lipólise, a cetogênese e a proteólise. Além disso, níveis extremamente altos de cortisol ocorrem após o exercício de longa duração, como uma corrida de maratona ou uma sessão intensa de treinamento de resistência”.

Assim, considerando que os níveis de cortisol permanecem elevados algumas horas após o exercício, sugere-se que exerça algum desempenho na recuperação e reparo dos tecidos.

Por outro lado, a testosterona que é o andrógeno mais importante secretado pelas células intersticiais dos testículos. O papel anabólico ou de elaboração tecidual da testosterona contribui para as diferenças entre homens e mulheres na massa e força musculares e sua concentração plasmática funciona comumente como um marcador fisiológico do estado anabólico, com efeitos diretos sobre a síntese do tecido muscular e indiretamente afeta o conteúdo protéico das fibras musculares. A testosterona interage também com receptores neurais para aumentar a liberação de neurotransmissores e iniciar alterações estruturais que irão modificar o tamanho da junção neuromuscular. Esses efeitos neurais aprimoram as capacidades produtoras de força do músculo esquelético (cf. Mc Ardle, 2008:440).

Apesar de seus efeitos ainda controverso, o mais provável é que uma proteína transportadora conduz a testosterona até os tecidos associando-se com um receptor ligado à membrana celular, migrando para o núcleo onde interage com receptores para iniciar a síntese protéica.

Além dos comportamentos citados anteriormente, considera-se o cortisol como um hormônio catabólico, porém, Evangelista (2009:24-27) relata em sua obra que este não possui apenas efeitos negativos na performance, pois com sua ação que acentua a degradação protéica, ele ajuda no fornecimento de oxigênio e de energia e estimula o coração e cérebro, valores equiparados ao comportamento da testosterona no sistema de fornecimento de energia e aumento da resistência ao cansaço.


[1] MC. ARDLE, W.D.; Katch, F.I. Fisiologia do Exercício Energia, Nutrição e Desempenho Humano. 6. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008, pp. 437/438.

EVANGELISTA, Alexandre Lopes. Treinamento de Corrida de Rua – Uma Abordagem Fisiológica e Metodológica. São Paulo: Phorte, 2009.

MC. ARDLE, W.D.; Katch, F.I. Fisiologia do Exercício Energia, Nutrição e Desempenho Humano. 6. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008.

UCHIDA, M. C. et. al. Manual de Musculação: Uma Abordagem Teórico-Prática do Treinamento de Força. 4. ed. São Paulo: Phorte, 2006.

N-Magalhães.

nivaldomagalhaes50@hotmail.com

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