O Fim das Dores no Joelho – Estudo de Caso: Condromalácia Patelar.

O estudo de caso abaixo descrito foi proposto na cadeira de “Atividades Aplicadas” da minha pós-graduação em Saúde e Bem-Estar.

Por experiência própria, pois sou portador da CM em grau “IV”, hoje incluiria a opção do treinamento na areia como outro recurso no tratamento da Condromalácia Patelar.

O condicionamento físico na areia que realizo há aproximadamente seis meses, apresentou significantes resultados na redução das dores na extensão do joelho quando, por exemplo, na subida de escadas.

Tais resultados são reflexos do trabalho de propriocepção realizado na areia –https://inspireousadia.com/circuito-ousadia-areia/, que ressalta a consciência do movimento das partes do corpo e das mudanças de equilíbrio, além de englobar as sensações de movimento e de posição articular (Jessell, T.M. Princípios da Neurociência. Manole, 2003).

Compartilho aqui mais uma experiência, com inclusão da variação acima descrita, de treinamento para a reabilitação dos portadores de Condromalácia Patelar.

Cliente: 65 anos, sexo masculino com sobre peso (moderado);
Histórico: Ex-praticante de atividade física, inativo há 12 anos, após receber o diagnóstico de Condromalácia Patrelar. Teve crise há um ano, fez tratamento com 35 sessões de Fisioterapia. O médico ortopedista solicitou que procurasse um educador físico;

Material disponível: Uma piscina aquecida de 25m, um bicicleta ergométrica, pista de atletismo, alguns aparelhos de musculação e assessórios (halteres, rubber band e mini trampolim).

Objetivo: Baixar 8 quilos e fortalecer musculatura dos membros inferiores.

Diante do caso apresentado, dois fatores devem ser avaliados com maior importância na prescrição do programa de exercícios visando atingir os resultados propostos. O primeiro é a condição de sobre peso moderado do cliente, entende-se um IMC entre 25 e 29 nos termos da tabela de Índice de Massa Corporal, classificações ponderais e riscos associados à saúde de Mc Ardle (2008:779), em segundo lugar a Condromalácia, que pela descrição do caso entendo como patelar, também conhecida como síndrome da dor patelo-femural, que consiste em uma patologia crônica degenerativa da cartilagem da superfície posterior da patela e dos côndilos femurais correspondentes.

A prescrição de exercícios para adultos mais velhos deve sempre ser levada em conta o modo, a intensidade, freqüência, duração e progressão do exercício, observando os parâmetros para designar o programa de exercícios para saúde e qualidade de vida.

Simão (2006) relata em sua obra que o treinamento isométrico reporta significantes ganhos de força estática. O exercício estático é largamente utilizado em programas de reabilitação e recuperação da força perdida. A maior desvantagem é que o ganho de força é específico para o ângulo da articulação usada durante o treinamento. Assim, para incrementar a força por toda a extensão do movimento é necessário executar o exercício com diferentes ângulos de articulação – 30, 60, 90, 120 e 180º de flexão.

O treinamento dinâmico apresenta algumas vantagens, específicas para a população proposta – adultos mais velhos, dos outros programas de treinamento com pesos, dentre estas vantagens estão: a taxa de ganho de força, taxa de ganho de resistência, ganho de força sobre a amplitude do movimento, facilidade de checar os progressos, adaptabilidade e padrões específicos do movimento e melhora da habilidade (cf. Simão, 2006:79-81).

Aliado aos programas supracitados, fará parte do programa de treinamento uma condição essencial para recuperação do cliente, o alongamento através do sistema ativo-passivo, técnica de alongamento que tem como objetivo a obtenção do ganho de amplitude do movimento que permita a aquisição de uma facilidade gestual ou a harmonização de determinados quadros de rigidez, os quais podem ser decorrentes de um desequilíbrio morfológico estático ou dinâmico (cf. Geoffroy, 2001:145).

O programa de treinamento para o “case” proposto, incluirá em cada sessão de treinamento: aquecimento com alongamento ativo-passivo, condicionamento cardio e físico, intervenção terapêutica e relaxamento.

1. Aquecimento:

– Alongamento estático dos grandes grupos musculares, com ênfase no quadríceps, banda iliotibial e posterior da coxa – 10 minutos, utilizando rubber band;

2.  Condicionamento Cardiorrespiratório:

– Atividade Cíclica em Bicicleta Ergométrica – Velocidade moderada – 10 minutos;

3.  Condicionamento Músculoesquelético – Treinamento de Força:

– Alternado por segmento em Múltiplas Séries – 20 minutos;

– Exercícios: Supino Reto, Puxada Frente no Pulley, Roca Bíceps com halter no Banco inclinado, Tríceps na Máquina e Leg-Press;

– Intensidade: 60% de 1 RM;

– Repetições: 12 repetições;

– Séries: 1 série.

– Intervalo entre as Passagens: 1 minuto;

– Cadeira Extensora, Cadeira Flexora em Isometria;

– Intensidade: 60% de 1 RM;

– Repetições: 5 – 10

– Duração: 5 segundos de contração

– Número de Séries: 1;

4.   Intervenção Terapêutica – 15 minutos;

– Trote Moderado dentro da Piscina;

– Equilíbrio estático Uni pedal do Mini-trampolim;

– Agachamento 45º no Mini-trampolim com hubber band fazendo resistência na abdução dos membros inferiores.

5.   Relaxamento:

– Alongamento dos músculos isquiotibiais;

– Elevação de ambas as pernas;

– Elevação dos segmentos corporais superiores;

– Perdigueiro (cachorro treinado para caçar aves).

O treinamento proposto terá inicialmente um período de 06 semanas e após uma reavaliação uma progressão contínua visando atender ao objetivo proposto em 06 meses.

Todos os fatores e propostas citadas não terão frutos se não for associado às recomendações básicas para perda de peso, que deve estar associada à equação do equilíbrio energético. Essa equação estabelece que a massa corporal permanecerá constante quando a ingestão calórica diária for igual ao gasto calórico diário. A perda de peso está diretamente ligada ao desequilíbrio da equação de equilíbrio energético de três maneiras: manter o gasto energético e reduzir a ingestão calórica abaixo das necessidades diárias; manter a ingestão calórica e aumentar o gasto calórico através de atividades físicas adicionais; e, combinar os dois primeiros métodos, reduzindo a ingestão alimentar diária e aumentando o gasto energético diário.

GEOFFROY, Christophe. Alongamento para Todos. São Paulo: Manole, 2001.

MC. ARDLE, W.D.; Katch, F.I. Fisiologia do Exercício Energia, Nutrição e Desempenho Humano. 6. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008.

SIMÃO, Roberto. Fisiologia e Prescrição de Exercícios para Grupos Especiais. 2. ed. São Paulo: Phorte, 2006.

N-Magalhães.

nivaldomagalhaes50@hotmail.com

http://facebook.com/nivaldomr

um comentário

  1. maria graça · · Responder

    Muito bom a matéria sobre condromalácia patelar .
    Eu tenho faço uso de remédio mais oque está me ajudando é o exercício :Circuito de areia já estou três meses estou bem melhor das dores e estou com condicionamento físico ótimo ….
    sem contar com a perda de peço .

    Curtir

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