Como Pedalar no Rock’n’Roll e não Curtir a Vista?

bikeEu tentei de tudo. Já tinha tentado outros tipos de preparação física, outras modalidades, academia… mas nada funcionava. Eu tinha problema de peso e uns amigos me chamaram para pedalar. Eu pedalava no rock’n’roll! O pessoal subia as Paineiras, aqui no Rio. Era sofrimento do início ao fim, duas ou três horas de um cansaço extremo. Eu levava dois ou três dias para me recuperar. Comecei a sentir dores que eu não sentia, dores no joelho, no tendão do tornozelo, em todo lugar. Aí, quando peguei o livro do seu pai, “A semente da vitória”, eu li e pensei: “Cara, eu estou me destruindo! Eu estou acabando com a minha saúde e não estou chegando a resultado algum.” Parado, iria fazer menos mal. Aí, parei e fiquei três meses sem treinar, até encontrar você.

Eu pensei: não vou mais ficar fazendo mal ao meu corpo. É uma loucura pensar que tem um monte de gente que está fazendo isso, o tempo todo. Agora, estou aprendendo a escutar o meu corpo. Quando li no livro: “Quando você quiser fazer mais e passar o seu limite ideal, você deve parar”, entendi que menos é mais, aprendi a me segurar. Porque foi a vida inteira aprendendo que tinha que doer, tinha que sofrer, senão, não tinha resultado. Então trabalhar isso está sendo interessante. Estou trabalhando a ansiedade, essa pressa que estamos acostumados a ter.

Quando você me passa os treinos eu fico pensando: é só isso? Aí eu paro, reflito e penso: sim, é só isso mesmo, não precisa mais. (risos)

O treino está muito mais gostoso, virou um passeio, algo bastante agradável. Eu treino no Jardim Botânico, no Rio. No final, até ando descalço na grama. Ficou muito mais revitalizante, dá vontade de repetir o treino, vira um momento de enorme prazer no meu dia. Antes, eu pedalava em um lugar lindo, nas Paineiras, mas não conseguia nem curtir a paisagem, a descida era horrível, era dor no corpo todo, o tempo inteiro.

Pra quê? Prazer zero! Fora o desconforto, o esforço, o cansaço. Depois, eu ficava dois ou três dias destruído. Eu sempre tinha gripes, constantemente. Treinava duas semanas e a minha resistência já começava a balançar. Eu me enchia de vitaminas e suplementos para tentar compensar, mas não adiantava. O suplemento era quase um remédio.

Você fica naquela: “Como estou fazendo um exagero com meu corpo, então preciso compensar a besteira que estou fazendo.”

Hoje, penso diferente: “Eu vou continuar caminhando. Se, futuramente, puder correr, ótimo! Senão, vou continuar caminhando mesmo.”

Está funcionando muito, eu nunca havia perdido peso de uma forma tão consistente. Nunca mais vou fazer mal ao meu corpo, já aprendi essa lição. As dicas de sono que você me passou também ajudaram muito nesse processo. Há muito tempo eu não dormia tão bem. Tudo o que você me ensinou, o alongamento em forma de meditação, a respiração e tudo o mais, me ajudaram a combater minha ansiedade. No fim, é como você diz: a ansiedade talvez seja o elemento mais importante neste processo de emagrecer. Esse lance que vocês falam de “vamos devagar, porque temos pressa”, foi um grande aprendizado, deu um estalo em mim.

Porque, sabe o que acontecia? Eu fazia muita força, me matava de treinar e não tinha bons resultados. E, veja bem, eu saí da condição de sedentário para fazer um treino de duas horas, na máxima intensidade. Veja só o salto. É isso que vocês ensinam muito bem, como evitar esses saltos e evoluir constantemente, de uma forma gradativa. É como o seu pai fala: o corpo é uma máquina perfeita. Eu fiz de tudo para quebrá-lo e não consegui (risos). Nessa época em que eu pedalava, depois do treino, parecia que eu estava com uma espécie de ressaca. Era uma sensação bem parecida. Era você ficar no dia seguinte com a sensação de que, se tiver que fazer força para qualquer coisa, você não tem nem 20% da sua energia normal. Você não tem qualquer energia para enfrentar as tarefas do seu dia a dia, entende? Como alguém pode achar que isso é saudável?

Veja o meu caso, eu já vim testando de tudo. Eu sempre tive problema para perder peso. Tentei surfar, mas eu era muito pesado. Eu fui em nutricionista, já tomei remédio para emagrecer, fiz dieta radical, fiz todo tipo de treinamento. O que você imaginar, eu já tentei e sei que aquilo ali não funciona. Aquilo não é feito para funcionar.

Na verdade, dei muita sorte: na subida de bike nas Paineiras que eu fazia, eu saía de 25 metros de altura para 700 metros, em oito quilômetros. A subida é muito forte, se você é um atleta, já está acostumado a isso. O problema é que você lê em todo lugar que essa é a melhor forma de perder peso, chega lá e quer fazer igual. O que acontece depois do treino é que você olha para o relógio e fica feliz, vendo que queimou 800 calorias. Mas, no dia seguinte, você come que nem um louco para compensar o estrago. Outra coisa é que você não vai nem conseguir pensar em treinar por dois dias, pelo menos. O seu metabolismo vai ficar muito baixo e o seu corpo vai pedir repouso.

No fim das contas, se você pensar, acaba empatando ou até ganhando mais peso ainda com esse tipo de treinamento. Fora o risco de se machucar, né?

Depoimento de um empresário de 35 anos…

N-Magalhães.

nivaldomagalhaes50@hotmail.com

http://nunocobrajr.com.br

Livro: O Músculo da Alma – A Chave para a Sabedoria Corporal.

 

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