Keep Calm and Um Carinho Prá Mim…

FullSizeRenderO Que é Autocompaixão?

“Para nos vermos positivamente, tendemos a inflar os nossos egos e colocar os outros pra baixo para que nos sintamos melhor por comparação. Mas essa estratégia vem com um preço – ela nos impede de atingir todo o nosso potencial na vida.” – Kristin Neff.
Para compreender melhor o que é autocompaixão, precisamos ter maior clareza do que significa compaixão. Temos mais facilidade de cuidar  e ser compreensivos com os outros do que conosco. Se alguma pessoa com quem nos preocupamos nos pede ajuda, sabemos ajudar e compreender as suas dificuldades. A partir dessa compreensão e dessa atenção às necessidades dos outros, podemos nos motivar a agir com o intuito de aliviar o seu sofrimento e de trazer benefícios. A compaixão é essa disposição de agir, em benefício do outro.
Sabemos ser bons amigos das pessoas, mas temos grande dificuldade em sermos tão bons com a gente, com o nosso mundo interno, com a nossa realidade. O mundo nos ensina que precisamos ser eficientes, perfeitos, bons no que fazemos, e que precisamos atender a diversas expectativas quanto ao que se considera ter sucesso na vida. Precisamos estudar e tirar as melhores notas na escola para entrar numa boa Universidade e conseguir um emprego que permita conquistar uma série de coisas; precisamos casar, ter filhos, depois ter netos; precisamos cuidar da saúde, ter uma vida espiritual; precisamos poder viajar e conhecer outros lugares, comprar um imóvel, trocar de carro periodicamente. Não somos ensinados a estar satisfeitos com o que temos, a precisar de menos para ser felizes, a apreciar as nossas qualidades. Pelo contrário, somos incentivados a buscar uma felicidade que parece estar sempre fora do nosso alcance e, pior ainda, aprendemos a nos enxergar por comparação com outras pessoas. Dessa forma, nossa autoimagem vai sendo construída a partir de referenciais externos: nos sentimos bem conosco se estamos melhores em comparação com algumas pessoas. Aprendemos a competir desde muito cedo, e vamos flutuando nossa percepção de nós mesmos conforme esse referencial externo. O problema disso é que é impossível, por comparação, nos sentirmos bem o tempo todo. Na maioria das vezes, podemos observar alguém que tenha algo que não temos, seja uma relação, seja um carro, ou status, ou aparência atraente. E quando nos sentimos inferiores, nos isolamos, nos sentimos inadequados, e temos vergonha de falar sobre isso. Como se o problema fosse unicamente nosso.
Enquanto a autoestima depende desse referencial externo, a autocompaixão possibilita resgatar uma aceitação incondicional com o que quer que se apresente na nossa vida. A partir de um olhar atento e de uma disposição de cuidado, podemos escutar as nossas necessidades e nos mover a partir do que tenha sentido para a nossa vida, sem precisar atender a uma expectativa externa para nos sentirmos bem conosco. Através dessa aceitação, inclusive da necessidade de transformação, podemos perceber que o que nos faz sofrer se encontra no universo de muitas pessoas. Do mesmo modo, percebemos as nossas potencialidades e as reconhecemos nos outros. Não precisamos ter algo ou ser alguém para sermos nossos bons amigos, da mesma forma como fazemos com os nossos melhores amigos.
Quando não cultivamos a autocompaixão, somos duros e rígidos conosco; temos dificuldade em aceitar nossos erros, e nos culpamos por eles; nos cobramos para sermos perfeitos com frequência, e nos desapontamos com as expectativas tão altas que criamos; achamos que não estamos suficientemente prontos quando somos reconhecidos, pois temos dificuldade de aceitar que já merecemos a felicidade e o reconhecimento nesse exato momento; nos julgamos pelos nossos pensamentos e emoções não prazerosos, e os reprimimos; não reconhecemos e não sabemos escutar as nossas necessidades, pois precisamos dar conta das necessidades dos outros antes;  suportamos por muito tempo situações que não nos fazem bem por acharmos que não merecemos algo melhor; nos sobrecarregamos de coisas, deveres, cobranças; perseguimos e projetamos nos outros nossas necessidades não atendidas de cuidado, valorização e aceitação; temos dificuldade de expor as nossas fragilidades e vulnerabilidades; achamos que temos algum problema quando não cumprimos com qualquer um dos itens do “roteiro de felicidade” (como casar e ter filhos, ou ter um emprego, por ex); também nos culpamos se não nos sentimos felizes quando estamos cumprindo com esse roteiro, ou se não atingimos alguma meta; nos achamos estranhos, inadequados, pois nos sentimos pressionados a sermos uma outra pessoa.
Nesse exato momento, quando nos damos conta disso, também podemos nos julgar por não sermos compassivos conosco. Mais um item da lista imensa de cobranças que incorporamos ao longo da vida.
Embora seja possível cuidar do outro passando por cima das nossas necessidades, a longo prazo essa ação não se sustenta. Em algum momento, nosso corpo e nossas emoções nos sinalizam que também precisamos desse cuidado e desse olhar atento. Não por acaso, a síndrome de burnout (caracterizada por fadiga excessiva, desânimo, sensação de impotência e estresse) é tão presente entre os profissionais da saúde, que precisam cuidar dos outros grande parte do tempo. Cuidar de si é, portanto, um pré-requisito indispensável para cuidar dos outros.
A boa notícia é que a habilidade de ser (auto)compassivo pode ser treinada. É o que tem sido demonstrado pela pesquisadora e psicóloga Kristin Neff, da Universidade do Texas. Neff tem mostrado através de diversos estudos que cultivar a autocompaixão possibilita uma série de benefícios, como: redução dos sintomas de estresse e depressão, assim como outros sintomas de adoecimento mental; aumento da liberação do hormônio de ocitocina no corpo, responsável pelo prazer e pelas emoções prazerosas; diminuição da autocrítica e da sensação de isolamento; aumento da conexão entre as pessoas; e, principalmente, aumento de comportamentos pró-sociais, como a compaixão e a empatia. Em uma cultura que favorece a competição a qualquer custo, cultivar a autocompaixão tem se mostrado como um dos caminhos para superar a sensação de baixa autoestima e de isolamento, infelizmente, cada vez mais crescente nos dias de hoje.
“Cultivando a autocompaixão, nós não nos avaliamos conforme os nossos sucessos, e não nos comparamos com os outros. Ao invés disso, reconhecemos as nossas falhas e erros com paciência, compreensão e bondade. Percebemos os nossos problemas dentro de um contexto maior da nossa condição humana compartilhada. Então, a autocompaixão, diferentemente da autoestima, nos permite estar mais conectados com as outras pessoas, e mais positivamente à sua disposição. Finalmente, a autocompaixão nos permite ser honestos conosco. Com essa atitude de aceitação, a autocompaixão promove uma compreensão realista da nossa situação.” – Thupten Jinpa.

https://autocompaixao.wordpress.com

N-Magalhães

nivaldomagalhaes50@hotmail.com

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